O QUE SERIA DO VERMELHO se NÃO FOSSE O AZUL
Afirmando os ideais de LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE, o Depósito de Teatro, lançou em abril de 2009 o espetáculo infantil O QUE SERIA DO VERMELHO SE NÃO FOSSE O AZUL. A peça fala de temas fundamentais como a tolerância, a aceitação das diferenças, a solidariedade e a diversidade. Os diálogos são extremamente ricos e interessantes e a mensagem primeira diz respeito ao valor do trabalho em equipe.
veja as fotos da peça no BLOG:
oqueseriadovermelhosenaofosseoazul.blogspot.com
Duração: 50 minutos
Faixa etária: dos 4 aos 10 anos
Prêmio Tibicuera Teatro Infantil MELHOR ESPETÁCULO Júri Popular
Prêmio Tibicuera Teatro Infantil MELHOR PRODUÇÃO
A COR-DE-COLORIDO COMO SÍNTESE DE CIDADANIA
Antônio Hohlfeldt
O diretor Roberto Oliveira já assinou muitos espetáculos infantis, sempre evidenciando criatividade e modernidade, elementos fundamentais para prender a atenção da criança contemporânea. Agora, ele responde por O que seria do vermelho se não fosse o azul, peça de sua própria autoria, que ele também dirige. Na verdade, trata-se de dois textos: o primeiro é uma espécie de roteiro em que atores discutem sobre seu trabalho e procuram fazer uma equipe. Num segundo momento, os atores chegam a um consenso e resolvem encenar uma história. O espetáculo engata e a gente aumenta a atenção sobre a cena.
Teatro infantil, hoje em dia, é coisa difícil. Há que ter capacidade de inovar, sugerir coisas novas à criança, mostrar-lhes situações inusitadas. Nesta perspectiva, o espetáculo anda bem, sem abrir mão de nada, explorando inclusive poucos objetos e adereços e um espaço cênico vazio, o trabalho mostra uma unidade muito maior e, por isso, é mais inteligível.
Para que isso ocorra positivamente, foi importante a cenarização de Modesto Fortuna e Rudinei Morales (especialmente aquele pano todo colorido), assim como os figurinos - brilhantes - de Ana Fuchs e Ig Borghese, que se inspiram no próprio título do trabalho e assim misturam, eficientemente, o azul com o vermelho (mais o branco e o preto), com excelentes efeitos. Os bonecos de Guilherme Luchsinger, grandes e coloridos, cumprem à risca sua função, num certo momento do trabalho, assim como as composições musicais de Roberto Chedid (músicas) e Roberto Oliveira (letras), com direção musical de Roberto Chedid, são comunicativas e fáceis de se guardar na memória.
O jovem elenco é muito equilibrado e cumpre rigidamente a linha de direção. Elisa Heidrich, Philipe Philippsen, Francine Kliemann, Juliano Canal, Lucas Sampaio e Luiza Pezzi compõem um grupo bem afinado e articulado, que garante o ritmo do trabalho e a comunicabilidade geral do espetáculo, que é leve e movimentado. O resultado final, assim, é um trabalho divertido, comprometido com a valorização da criatividade e da imaginação, que apresenta boa comunicabilidade com o público. O resultado se coloca sempre num patamar acima de boa parte das produções a que assistimos rotineiramente na cidade e, portanto, merece atenção da parte dos pais, quando tenham de escolher onde levar seus filhos. Com uma vantagem: pela sua dupla perspectiva, acaba agradando à gurizada de pequena idade, por seu colorido, e aos mais velhos, pelos temas que aborda.
É importante que, sem apresentar qualquer tonalidade explicitamente pedagógica, o espetáculo discuta alguns temas fundamentais, sobretudo a tolerância com o outro e a aceitação necessária das diferenças étnicas e culturais. Num momento em que tanto se discutem tais questões, é significativo que, indiretamente, as crianças sejam levadas a refletir a respeito do assunto.
Crítica publicada no Jornal do Comércio – 30 de abril de 2009.